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A Entidade - Parte dois.

Ela bem que se esforçou, mas o sono só veio uma hora depois. Ana teria dormido toda a manhã, mas foi acordada por uma carícia insistente nos seios. Ainda sonolenta ela pensou por um momento que estava tendo o mesmo sonho novamente, mas era André com sua ereção matinal, tentando excitá-la. Longe de lograr seu intento, ele apenas conseguiu irritá-la. Ana havia esperado muito daquela noite, mas depois da frustração, não estava disposta a ceder para satisfazer as necessidades fisiológicas e egoístas dele.
- Pare com isso! – Quase gritou, enquanto o empurrava. – Quero dormir.
Ele exalou o ar preso em seu pulmão, surpreso por ter sido repelido. Tinha uma vaga noção de que ela deveria estar ansiosa por uma boa trepada. Afinal já fazia algum tempo que não a procurava para isso.

Requiescat in Pace - Sinopse

Ele até que é um bom escritor, mas não consegue viver de sua literatura. Sentindo-se pressionado pela dura realidade e as contas para pagar, candidata-se a um emprego como vigia noturno de um cemitério. Apesar da estranheza inicial com a nova ocupação, o escritor percebe haver ali uma boa oportunidade de estabilizar e terminar seu último romance. Uma novela de horror gótico, na qual ele deposita toda a sua esperança de dias melhores. Mas ele teria mais que isso. Ocorre que coisas estranhas acontecem naquela necrópole, depois que os vivos se retiram e os portões de fecham. Já na primeira noite, ele presencia estarrecido um piquenique de góticos sobre as lápides sepulcrais. Conhece uma garota estranha, que gosta de passear pelo cemitério depois da meia noite, um coveiro necrófilo e um grupo ensandecido de almas penadas, liderado por um demônio muito louco, que guarda importantes segredos. Uma sequência de eventos improváveis o envolve numa longa jornada pelo mundo dos mortos, onde ele descobre coisas importantes sobre si, de uma vida anterior, que envolve também a garota estranha.

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A Entidade


Tudo começou naquela noite, ela lembrava bem. Era sábado e a noite de chuva convidava à preguiça, mas Ana queria algo mais. Estava excitada e olhava para André, seu marido, cheia de esperanças. Há muito não tinham qualquer contato íntimo e isso a deixava frustrada e amarga. Então, naquela noite, Ana decidiu que seria diferente. Já havia planejado tudo horas antes.
Ainda na tarde daquele sábado, enquanto André se esfalfava no campo de peladas do clube, ela foi às compras. Escolheu uma lingerie que nunca ousara usar e caprichou nos detalhes para ter uma noite perfeita com o marido. Gastou uma pequena fortuna naquele perfume caro, que levava o nome de uma estilista famosa que admirava. Não esqueceu nem mesmo aquele creminho, para proporcionar ao marido, e a si mesma, uma noite inesquecível.
Mas à noite, André nem mesmo olhou para ela, entretido em ver televisão. Em todas as tentativas que fez para chamar-lhe a atenção, ele a olhou com tamanho desagrado, que ela foi murchando e acabou desistindo de ter sua noite de amor com o marido. Preparou-se para uma noite insone, a sufocar desejos insatisfeito.

As Sombras da Morte

Há muito não se alimentava, e já não tinha muito tempo. A cidade não estava longe, mas a aurora não tardaria a lançar seus primeiros raios de luz anunciando a manhã.
Precisava encontrar uma presa antes que o dia chegasse e pudesse descansar em algum canto sombrio, até que as trevas o chamassem novamente.  A noite escura lembrar-lhe-ia sua natureza. Ele não era propriamente um ser vivo, mas nutria-se da vida pulsante e quente que corria nas veias dos homens. Como um parasita nascido no inferno, drenava a vitalidade daqueles, cujo destino fatídico os colocava em seu caminho.
Com as pupilas dilatadas nos olhos ansiosos ele percebeu um caminhante solitário percorrendo a trilha que levava à cidade. Era um homem idoso, mas caminhava em passos largos com desenvoltura e energia, embora usasse um cajado como apoio. Ele parecia ter pressa, mas seria difícil dizer se isso se devia aos os perigos que o rondavam naquele lugar, ou simplesmente tinha a impaciência dos homens de espírito inquieto, desses que viajam com frequência e habitualmente se envolvem em longas jornadas. Naturalmente, tais conjecturas não ocorriam à criatura da noite. Seria uma frivolidade desnecessária tecer qualquer tipo de consideração a respeito daquele que estava preste a se tornar mais uma de suas vítimas. Tudo o que lhe importava era o líquido escarlate que corria nas veias daquele homem incauto. É certo que iria preferir uma presa mais jovem, se lhe fosse dado naquele momento a oportunidade de escolher, mas o tempo estava se esgotando com a proximidade da aurora.

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Lilith - Noite adentro Cap. II

Eu morri no início do século XIX. Mais exatamente no dia 21 de abril de 1808. Os acontecimentos que culminaram em meu triste infortúnio foram erigidos alguns dias antes, quando fui levada por meu pai à fazenda de Bartolomeu Bueno Ferraz, o homem mais poderoso do Arraial de São Vicente. Eu era o pagamento de uma antiga dívida, contraída a juros exorbitantes.
Com vinte e seis anos, eu era velha demais para o mercado do matrimônio. Na verdade, o destino desejado pelas mulheres de minha época não fazia parte de minhas ambições pessoais. Desde cedo, aprendi a afastar os pretendentes que se apresentavam, para o desgosto de meu pai, que veria com bons olhos qualquer um que o livrasse do ônus do meu sustento.
Por influência de minha mãe, desde cedo eu me apliquei nos estudos de filosofia e literatura. Enquanto era interna em um colégio católico em Lisboa, li todos os clássico que pude encontrar na biblioteca. Logo passei dos princípios da filosofia aristotélica para os poemas de Byron, Shelley e a literatura corrosiva de Jane Austen, com a qual eu tive o prazer de conviver durante uma curta temporada em Londres. Algum tempo depois, fui forçada a voltar para o Brasil, por conta de dificuldades financeiras de minha família, mas a convivência com a escritora inglesa deixou-me o habito de registrar os acontecimentos de minha vida em um diário. Naquele tempo, eu tinha um vago projeto de seguir seus passos na literatura.

Lilith - Noite adentro Cap. I



Gosto do cheiro da noite. Há nuances sutis trazidas pelo sereno e pela leve brisa noturna, que eu não poderia perceber durante o dia, com meu sentido de olfato saturado com os odores que os homens produzem em suas atividades insanas. Felizmente eu tenho hábitos noturnos. Agora mesmo, eu inspiro o ar frio e percebo que há uma assinatura diferente entre os cheiros que veem até mim. Alguém se aproxima e estimula meus outros sentidos. Percebo que é um homem. Ele está levemente bêbado e caminha só, de forma hesitante, mas não por causa do álcool em sua corrente sanguínea. Parece apenas aturdido por algum infortúnio. Apesar da bebida ingerida pelo caminhante solitário, gosto do cheiro dele!  Quase lamento o que estou preste a fazer, mas sei que é apenas resquícios da consciência daquela que outrora fui. Logo volto me concentrar e deixo minhas presas se projetarem. É hora de fazer jus à minha natureza sanguinária, algo que ganhei em uma noite sem luar. Acreditem, eu já fui humana. Hoje, porém, faço dos humanos minhas presas favoritas. Há nisso uma espécie de justiça poética, se me permitem o escorregão melodramático.

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Alguns acham que é uma história de terror e outros pensam que se trata de um livro espírita. Bem, é tudo isso e mais um pouco. O livro trata de uma história de amor, que persiste através do tempo, entre a vida e a morte. É, pois, uma história romântica e sensual, contada com leveza e muito humor.

Wazinga - Capítulo IV

Ela o olhava fixamente e seguia atentamente seus movimentos. Parecia avaliar suas chances, se resolvesse atacá-lo. Contudo, o balanço da embarcação pareceu lembrá-la que não havia uma rota de fuga segura. Então, ergueu os braços acorrentados para ele.
O fidalgo procurou as chaves no bolso da casaca. O contato do metal frio o fez hesitar. Talvez não por medo, mas pelo receio de perder o investimento. Por outro lado, queria vê-la escolher por sua própria vontade o caminho que iria trilhar dali por diante. Sua intuição lhe dizia que a melhor forma de segurá-la era deixar livre para decidir. Algo em seu olhar lhe dizia que ela pensava sobre isso naquele momento. Sem esperar mais, ele a liberou das correntes. A mulher esfregou os pulsos e pareceu sorrir. Todavia, não era um sorriso gentil. Em seu olhar havia uma leve expressão de triunfo, quando se afastou dele. Bento se maldisse por ter sido tão precipitado, mas a aposta já havia sido feita.

Wazinga - Capítulo III



Quando o Santa Helena adentrou à baía de Luanda, o fez sob uma grande tempestade. A embarcação escapara por muito pouco à fúria dos elementos em mar aberto. Todavia, os deuses africanos ainda pareciam querer livrar aquelas terras dos invasores brancos, que ali aportavam para saquear suas riquezas e escravizar aqueles que lhes davam razão de existir.
Ignorando a chuva torrencial, Bento conseguiu enxergar mais três barcos ancorados na baía. Ele olhava através da vigia de sua cabine, utilizando uma luneta fabricada na Itália por um certo Galileu Galilei. O instrumento lhe fora dado por um monge, em troca de certos favores, durante seu tempo num mosteiro.
Dois dos barcos tinham bandeira portuguesa. O terceiro ostentava a bandeira holandesa, que naquele tempo seguia Portugal por todas as suas colônias, muito por conta de uma antiga dívida contraída por Dom João V, em uma de suas infrutíferas tentativas para equilibrar as finanças da coroa portuguesa.

Wazinga Capítulo II




O agiota examinava o crucifixo de todos os ângulos possíveis. Era uma peça magnífica, executado em estilo rocaile, por um prestigiado ourives de Paris. Sob o olhar atento do homem, ele levou a peça até um faixo de luz solar que entrava pela janela, e a olhou através de uma lupa. Ele não saberia precisar a origem do material usado, mas supôs muito acertadamente que a peça havia sido confeccionada com ouro vindo do Brasil, assim como os diamantes e esmeraldas que a adornavam.
- Trinta moedas. – Disse o agiota, com um brilho de cobiça no olhar, que até o mais desatento dos homens perceberia.
O indivíduo que estava diante dele não era um desses tolos, que todos os dia batiam em sua porta. Era um sujeito perigoso, ele sabia. O homem o fitou com um olhar duro, que lembrava uma ave de rapina. O agiota o viu acariciar sutilmente o cabo da adaga em sua cintura e viu o perigo rondando.