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A Entidade


Tudo começou naquela noite, ela lembrava bem. Era sábado e a noite de chuva convidava à preguiça, mas Ana queria algo mais. Estava excitada e olhava para André, seu marido, cheia de esperanças. Há muito não tinham qualquer contato íntimo e isso a deixava frustrada e amarga. Então, naquela noite, Ana decidiu que seria diferente. Já havia planejado tudo horas antes.
Ainda na tarde daquele sábado, enquanto André se esfalfava no campo de peladas do clube, ela foi às compras. Escolheu uma lingerie que nunca ousara usar e caprichou nos detalhes para ter uma noite perfeita com o marido. Gastou uma pequena fortuna naquele perfume caro, que levava o nome de uma estilista famosa que admirava. Não esqueceu nem mesmo aquele creminho, para proporcionar ao marido, e a si mesma, uma noite inesquecível.
Mas à noite, André nem mesmo olhou para ela, entretido em ver televisão. Em todas as tentativas que fez para chamar-lhe a atenção, ele a olhou com tamanho desagrado, que ela foi murchando e acabou desistindo de ter sua noite de amor com o marido. Preparou-se para uma noite insone, a sufocar desejos insatisfeito.

Triste e cansada da vida que levava, Ana revia os possíveis motivos para que seu casamento ter se tornado aquele marasmo. Primeiro pensou em culpar a si mesma. Todavia, esse sentimento de pesar e auto piedade durou apenas alguns segundos. Ela se via nos espelho e se considerava ainda atraente, mas André não a desejava mais como nos primeiros anos de casamento. Tinha lido em alguma revista feminina que casamento e tesão não costumavam andar juntos por muito tempo. Talvez ele até tivesse uma amante, ela pensou. Essa possibilidade a chocou, mas nem tanto. Surpresa, percebeu que não se ressentia tanto assim, mas não gostava da ideia de continuar a ser ignorada.
Algum tempo depois, já deitada e ouvindo o ronco do marido, ela decidiu que não ficaria mais em casa quando André saísse sozinho no domingo à tarde, como costumava fazer. Ela também sairia. Iria dar para o primeiro diabo que lhe aparecesse na frente. Foi aí que tudo começou.
Demorou a pegar no sono. O ronco de André a incomodava e ela ainda virou-se na cama por algum tempo, mas finalmente adormeceu. Entretanto, já estava escrito que aquela noite não seria igual as outras.
Deitada de bruços, como costuma dormir, Ana de repente acordou com um zumbido no ouvido. Logo depois sentiu uma pressão sobre si e uma língua percorrendo sua nuca.
- Ah! – Ela gemeu, sentindo o desejo voltar. Em segundos estava pronta para ser penetrada. – Finalmente, André.
Mas não era André. Ele ainda dormia ao seu lado e voltou a roncar daquele jeito desagradável. Ela tentou abrir os olhos, mas não conseguiu. A pressão sobre seu corpo aumentou e ela sentiu que alguém afastava sua calcinha com sofreguidão.
Ana não conseguia acreditar que estava sendo estuprada em sua própria cama, ao lado do marido inútil. Por um momento teve dúvidas se deveria resistir. Afinal estava na iminência de ser fodida, como tanto desejava. Entretanto, um grunhido a fez pensar que algo mais estava acontecendo sobre si.
Quando sentiu um pênis tocar sua vagina, Ana teve um primeiro impulso de erguer os quadris para facilitar a penetração, mas o ronco de André ao seu lado a conteve e ela tentou contrair os músculos da pélvis e resistir, mas foi em vão. Não tinha controle sobre si e, impotente, sentiu a penetração se consumar.
O pênis era enorme e ela teve receio de não conseguir suportá-lo, mas já estava tão lubrificada que penetração se consumou de forma quase consensual. Talvez já não fosse o caso de se considerar vítima de um estupro, ela conseguiu pensar, enquanto o sentia movimentar-se dentro de si. Perplexa, Ana não conseguiu lembrar de alguma vez em que o sexo tinha sido tão bom com André. Não demorou muito para sentir o gozo chegar em ondas cada vez mais intensas e arrancar-lhe um urro de prazer e medo. Ela finalmente pôde se movimentar e levantou-se ofegante num salto. O movimento súbito acordou André.
- Você ficou doida? – Ele perguntou irritado.
Ela olhou ao redor e não viu mais ninguém no quarto, mas a sensação de ter sido penetrada ainda persistia em sua vagina.
- Acho que tive um pesadelo. – Respondeu trêmula. – Sonhei que estava sendo estuprada.
- Não brinca! Quem pensaria numa coisa dessas com você?
Ana deu de ombros ao ouvir a grosseria. Depois daquele sonho estranho, André parecia pequeno demais para se importar.
- Talvez não tenha sido um pesadelo, afinal. – Ela disse, mais para si mesma.
- O que você disse? – Ele perguntou sem muito interesse, enquanto se virava de costas para ela.
- Volte a dormir. – Ela respondeu, levantando-se para ir ao banheiro.
Enquanto andava até o banheiro, Ana sentiu que um líquido viscoso escorria pelas suas pernas, mas não conseguia ver nada. Havia apenas a sensação táctil de estar molhada. Depois de trancar a porta do banheiro, ela sentou-se no bacio e abriu as pernas para examinar-se melhor. Não estava machucada, mas a sensação pós-coito persistia, enquanto percebia um leve odor de almíscar exalar de sua vagina.
Ana lavou-se e, enquanto se enxugava, teve a sensação de que estava sendo observada. Ela virou-se ofegante, mas não havia ninguém mais no banheiro. Fez um esforço para se acalmar e terminar de enxugar-se. Depois, ainda nua, olhou-se no espelho.
- Será que o sonho volta, se eu voltar a dormir? – Perguntou para si mesma.
Quase imediatamente, sentiu os seios serem tocados e acariciados. Apesar do medo que sentia, ela conseguiu sorrir.
- Você ainda está aqui? – Ela perguntou, para logo depois se sentir ridícula.
A sensação nos seios parou e aumentou seu desconforto.
- Acho que tô ficando louca.
Ana saiu do banheiro e voltou para a cama.  Apesar de inacreditável, ela tinha a esperança de que o sonho se repetiria, se voltasse a dormir. Pela fresta deixada pela cortina, ela viu a claridade da manhã se insinuando no quarto e deu graças a Deus por ser manhã de domingo. Teria tempo para dormir um pouco e, se o sonho não se repetisse, o período da tarde seria o início de muitas travessuras.  

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