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O Fantasma de Ebenezer - Parte 1

Parte 1

Algum tempo se passou, sem que alguma alma penada me procurasse para contar sua história. Na verdade, tinha a nítida sensação de haver alguma relutância da maioria deles em compartilhar suas memórias, apesar da pressão quase explicita de Voz Cavernosa.
Eu esperava contar com o relato deles para o meu próprio projeto literário, mas já pensava em usar minha imaginação para isso, como sempre fiz em minhas histórias. O problema é que eu me encontrava vazio de ideias próprias. Na verdade, tinha a sensação de que minha capacidade criativa havia se exaurido, desde o momento em que fui induzido a compilar as histórias dos fantasmas que vagavam por entre as lápides do cemitério. A sensação era como se eu estivesse cumprindo uma pena e nada mais me restasse, além de relatar a jornada de cada um daqueles espectros sombrios. Algo que poderia render boas histórias, se eles se dispusessem a colaborar.

Zaphir - Capítulo III

Um jogo muito estranho e perigoso.

Para Gabriela, o retorno à loja de livros usados não tinha sido muito útil. Pelo menos não no sentido de explicar o que estava acontecendo. Todavia, dera-lhe a confortável convicção de que não havia nada de errado com sua sanidade mental, uma vez que Michel também presenciara os estranhos acontecimentos naquele velho sobrado. Isso a livrava de um pesado fardo que se insinuara em sua mente há muito tempo. Desde a infância via e ouvia coisas que os outros não percebiam. Em algumas ocasiões animais falavam com ela, noutras eram os objetos que adquiriam vida e lhe falavam do outro mundo que aparecia em seus sonhos, de outra vida que ela havia vivido. Havia noites em que um homem alto, de barba negra e nariz adunco, surgia em seus sonhos e lhe falava de uma missão que ela devia cumprir num outro mundo. Quando tentava falar com mãe sobre isso, quase sempre ouvia algo uma referência à sua fértil imaginação. Com o passar do tempo, Gabriela resolveu que não falaria mais sobre qualquer coisa que não parecesse “normal”..

Zaphir - Cap. II

Sobre garotas, maus perdedores e mais acontecimentos insólitos.

Os dias passaram rápido. Sob a orientação e proteção de Gabriela, a existência de Michel na escola tinha se tornado um pouco mais calma. Já havia aprendido os códigos não escritos de convivência com os valentões e os evitava com mais habilidade, embora ainda contasse com ela, cuja presença era suficiente para manter os mais encrenqueiros afastados, pelo menos por algum tempo.
Certo dia ele apareceu na casa dela todo agitado. Trazia um pequeno envelope na mão e o agitou diante Gabriela quando ela abriu a porta.
- Adivinha o que é.
- Não faço a mínima ideia. – Respondeu ela impaciente. – O que é?
- Um convite para você. Também recebi um.
- Um convite para mim? – Ela arrebatou o envelope da mão dele e o abriu sem muito cuidado.
- É um convite para a festa de aniversário da Valéria. Não é legal?
- É estranho. Essa garota nunca falou comigo, apesar de a gente estar no mesmo time de vôlei da escola.
- Acho que sei por que.
- Então me explica sabidão.
- Você é uma espécie de celebridade na escola. É a estrela do time de vôlei, boa aluna, líder... É isso.
- Fala sério. – Disse ela surpresa. – Você pirou de vez. Posso contar nos dedos as pessoas que realmente gostam de mim.

Lillith - Noite Adentro - Cap. II

Eu morri no início do século XIX. Mais exatamente no dia 21 de abril de 1808. Os acontecimentos que culminaram em meu triste infortúnio foram erigidos alguns dias antes, quando fui levada por meu pai à fazenda de Bartolomeu Bueno Ferraz, o homem mais poderoso do Arraial de São Vicente. Eu era o pagamento de uma antiga dívida, contraída a juros exorbitantes.
Com vinte e seis anos, eu era velha demais para o mercado do matrimônio. Na verdade, o destino desejado pelas mulheres de minha época não fazia parte de minhas ambições pessoais. Desde cedo, aprendi a afastar os pretendentes que se apresentavam, para o desgosto de meu pai, que veria com bons olhos qualquer um que o livrasse do ônus do meu sustento.

Requiescat In Pace na Amazon

Requiescat in Pace - Crônicas da Cidade dos Mortos é o primeiro na Amazon, entre os livros de Literatura sobrenatural
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Trevas - Lord Byron

Eu tive um sonho que não era em todo um sonho
O sol esplêndido extinguira-se, e as estrelas
Vagueavam escuras pelo espaço eterno,
Sem raios nem roteiro, e a enregelada terra
Girava cega e negrejante no ar sem lua;
Veio e foi-se a manhã - Veio e não trouxe o dia;
E os homens esqueceram as paixões, no horror
Dessa desolação; e os corações esfriaram

O Mestre do Terror

A história melancólica e trágica de Edgar Allan Poe

Ao lado de Machado de Assis, Poe têm sido uma das principais referências literárias para mim. A forma como mergulhou no inconsciente coletivo e descortinou os mais profundos e atávicos sentimentos humanos, em contos repletos de dor e medo, revela uma alma torturada pelas tragédias pessoais. Acredita-se que a vida atormentada do escritor tenha contribuído de forma definitiva para moldar sua obra e seus derradeiros momentos de vida. 

Encontrei este vídeo no Youtube, que traz informações preciosas da vida do escritor e que, certamente, será do agrado daqueles que admiram sua fantástica obra.


Voz Cavernosa - Parte 6

Ao narrar seu encontro com Malala, Voz Cavernosa pareceu emocionar-se. Ao ouvir sua voz ligeiramente trêmula, eu consegui perceber que sua origem era inequivocamente humana. Era a primeira vez que isso acontecia, pois até então, eu tinha a certeza quase absoluta de que estava lidando com uma criatura gerada no inferno.
Nossas sessões de entrevistas eram feitas no cemitério. Logo depois que os portões se fechavam, encontrávamo-nos diante da Tumba. Como eu pertencia ao mundo dos vivos, não tinha acesso ao seu interior. Uma condição temporária, dizia ele, com a sua mordacidade habitual.
De minha parte, embora tenha concordado em escrever a história dele, não tinha nenhuma pressa em mudar de plano existencial, nem mesmo para ter minha passagem permitida naquele portal. Ainda hoje, tenho arrepios só de olhar aquelas gárgulas sinistras que ainda guarnecem a entrada da Tumba.