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Lilith - Noite Adentro Cap III

Eu bem que tentei, mas não consegui ficar sem procurar uma presa mais que alguns dias. Estava decidida a manter-me oculta em minha volta à cidade, uma vez que deveria ser uma visita breve, mas estava enganada em dois aspectos: meu tempo de permanência na cidade estava longe de qualquer previsão, e minha fome era muito maior do que eu poderia suportar. É nesse estado, faminta, que eu flutuo na corrente de ar quente que se desprende do solo aquecido pelo dia ensolarado. 
Às onze da noite, eu desisto de tentar encontrar uma presa em algum local isolado e me dirijo ao centro da cidade, planando sobre o campus da universidade. Ali seria um bom local de caça, mas as aulas do período noturno já acabaram há uma hora. Seria muita sorte encontrar algum retardatário vagando pelo estacionamento vazio. Digo seria, porque logo que penso nisso, escuto o choro. Eu me deixo escorregar entre as camadas de ar e desço lentamente. Apuro os ouvidos e percebo que o som vem da direção de um cipreste curiosamente esculpido. Eu me aproximo e escuto uma súplica. 

- Por favor, não faça isso!Diz uma garota, entre soluços. 
- Cala a boca, vadia! Tu vai gostar. – Retruca um homem com cara de fuinha, sentado sobre as pernas da garota, que está de bruços. Ele levanta sua saia e puxa a calcinha com sofreguidão. Eu sinto o cheiro da testosterona, e mais alguma coisa na saliva que escorre de sua boca torta. Eu percebo que ele está drogado e penso em desistir, mas o choro da garota lembra a mim mesma, e quem fui um dia. Que se dane! Eu posso suportar um pouco de crack na corrente sanguínea   
A posição que ela está, com a cara enfiada na grama, me favorece. Não precisarei dar cabo dela também, se for bastante rápida. Então eu ajo! Com um salto eu alcanço o pescoço do agressor e o ergo no ar. O sujeito berra como uma mocinha, totalmente apavorado, enquanto eu o levo para o telhado de um prédio próximo. É impressionante como a atitude do valentão logo se modifica nessas situações. Confesso que adoro fazer isso. 
Dou uma olha para baixo e verifico que a garota está bem, apesar de chorar convulsivamente. Ela não entendeu que está a salvo. Então volto minha atenção para o seu agressor. Eu ainda não me transformei, mas o sujeito já mijou nas calças. Não quero nem pensar no que ele vai fazer quando me ver transformada no seu pior pesadelo. Sem lhe dar tempo para isso, eu estraçalho sua jugular e sorvo sua vida. A lembrança de suas vítimas desfilam em minha mente e eu o sugo feliz, até sua última gota de sangue. Depois que tudo terminou, eu deixo o corpo no telhado e me elevo no ar. Ainda é tempo de aproveitar a noite em algum reduto boêmio da cidade. 
Se tivesse olhado para trás, teria visto o corpo escorregar e cair do lado da moça chorona, mas não olhei. Às vezes sou muito desastrada e minha tentativa de ser discreta acabou indo pro saco. C’est la vie.  
 Depois dessa noite, eu estava pronta para me concentrar no verdadeiro motivo do meu retorno à cidade. Por conta do acontecimento envolvendo os três patetas, passei algum tempo longe daqui. Foram quase três anos, na verdade. Todavia, o tempo não tem o mesmo significado para mim, do que tem para os mortais. Então, parece que foi ontem que fui embora. Mesmo assim, era bom estar de volta. 
Durante meu exílio auto imposto, não deixei de acompanhar as notícias locais, especialmente as que se relacionavam ao episódio do assalto. Tudo seria rapidamente esquecido, se não fosse a insistência do único sobrevivente em relatar o desparecimento de uma mulher que estava com ele no momento do acontecido. A descrição fornecida por Lucas era bastante detalhada e serviu de base para um retrato falado razoavelmente parecido comigo. Isso pôs em risco minha segurança e quase me arrependi de tê-lo poupado. Felizmente ninguém se importou com aqueles infelizes e o caso não demorou a ser transferido para a categoria das lendas urbanas. Teria ficado assim, mas parece que eu me tornei uma obsessão para ele.  
No tempo em que permaneci fora da cidade, soube que Lucas jamais deixou de me procurar, Tendo voltado ao hotel em inúmeras ocasiões. Aparentemente a explicação da polícia para o meu desaparecimento não o convenceu. Ele estava se tornando um incômodo, mas eu esperava que desistisse, antes que me sentisse obrigada a silenciá-lo. Uma medida drástica e perigosa, que certamente chamaria a atenção da polícia para um caso que já tinha sido arquivado.  
Graças a ele, aquela história ainda ecoava de tempos em tempos, apesar dos cuidados que tomei. Sua obsessão por mim só poderia ser explicada pela possibilidade de ele ter visto algo mais do que havia relatado à polícia. 
Eu e minha boca! Toda vez que teço alguma conjectura, ela acaba se tornando real. Mal abro o jornal, leio a notícia de que a polícia reabrirá as investigações sobre o caso dos três patetas e o meu desaparecimento, em razão da insistência e de novas declarações do jornalista Lucas Schiaparelli. Como se não bastasse, o infeliz é um jornalista! Esse foi um detalhe que eu desconhecia. Que ódio tenho dos erros que cometo! 
A notícia já era requentada, uma vez que li o jornal de dias atrás. Isso me forçou a procurar a próxima edição antes do amanhecer. Felizmente os jornaleiros trabalham na madrugada e foi fácil pegar um exemplar deixado do lado de fora da portaria de um prédio. 
Aquele jornal trazia uma reportagem assinada por Lucas. O estúpido estava tentando ganhar dinheiro com uma história velha. Seu relato fazia referência a um mulher de nome Lilith, que estava com ele naquela noite, mas nunca que nunca havia se hospedado no Luxor, como lhe dissera. Mais adiante, ele estranhava o fato de um recepcionista ter declarado que uma hóspede correspondia ao retrato falado, mas tinha um nome diferente. Ao Luxor nunca mais voltei. Também abandonei a identidade que usava para me hospedar naquele hotel. Isso se mostrou uma decisão acertada, face o desenrolar dos acontecimentos. 
Aquela história estava ficando perigosa para mim. Se estava para mim, também estaria para ele muito em breve. Lucas Schiaparelli deveria ter deixado minha lembrança cair no esquecimento. A possibilidade de me encontrar significava um infortúnio que ele não deveria trazer para sua vida. 
Bom, eu tinha idade suficiente para evitar atitudes precipitadas, apesar de saber que dois séculos de idade não melhoraram muito minha capacidade de discernimento em determinados assuntos. Por isso, resolvi investigar mais aquela situação. Algumas coisas não encaixavam. Entre elas, a atitude mercenária de Lucas Schiaparelli em explorar aquele assunto do ponto de vista sensacionalista. Isso parecia não combinar com a imagem que eu tinha dele, que era a de um Dom Quixote sempre pronto a defender uma dama em apuros. Uma imagem um tanto boba, é verdade, mas razoavelmente precisa. Eu lembrava bem dos detalhes daquela noite, inclusive do seu cavalheirismo anacrônico e ingênuo. Aquele sujeito não brincaria com a lembrança de uma mulher supostamente assassinada num assalto, a menos que ele suspeitasse de algo errado naquela história. Isso, convenhamos, era perfeitamente plausível. Mas se fosse esse o caso, por que esperar tantos anos para remexer naquele assunto? Então, a questão que se colocava era saber o que o tinha motivado a colocar-se no meu encalço. Que novas evidências ele tinha? Teria ele lembrado algum detalhe? Teria visto alguma coisa? Essas questões começavam pulular em minha mente de forma compulsiva, e eu não gosto desses gatilhos mentais. 
Na impossibilidade de resolver o assunto rapidamente, resolvi esperar o momento propício. Enquanto isso, aproveito meu retorno para rever a cidade. Uma maratona que passa por shows, teatros, galerias de arte e restaurantes da moda. Restaurantes? Sim, você não leu errado. Ao contrário do que reza a lenda dos vampiros, eu aprecio a comida dos humanos vez ou outra, acompanhada de um bom vinho, é claro. Somente as bebidas destiladas não agradam ao meu paladar e não fazem bem ao meu organismo. Todavia, essas opções gastronômicas e etílicas não suprem minha necessidade de sangue humano, cujos componentes são permeados pela essência espiritual e as memórias de cada vítima. Tais fatores são os que realmente sustentam minha existência na condição de morta-viva.   
Por isso, eu desapareço no meio da noite, para vagar pelos becos escuros e sórdidos, onde posso exercer minha natureza em toda a sua plenitude. Devo dizer, a bem da verdade, que minha predileção pela escória humana não tem realmente razões altruístas, embora eu mesma goste de pensar isso, talvez por vaidade ou desencargo de consciência. A verdadeira razão, no entanto, está no fato da morte de miseráveis, assassinos e psicopatas não gerarem a mesma comoção que provoca a morte violenta de inocentes. Tais ocorrências são logo esquecidas, ou confinadas ao rol das coisas inexplicáveis ou insignificantes. São os destaques corriqueiros dos tabloides sensacionalistas, que ficam em evidência só até a próxima manchete e depois são esquecidos. O destino que dei aos três patetas está dentro desses parâmetros, mas tudo indica que aqueles fantasmas voltarão para me assombrar, pois que assim seja. Sou uma filha das trevas e, no devido tempo, soltarei minha fúria.  
Como não poderia deixar de ser, a morte do estuprador ganhou as manchetes dos jornais. A vítima do sujeito relatou o aparecimento de um salvador misterioso, dotado de uma força sobre-humana, que o arrancou de cima dela e o arremessou para o alto. A reportagem dizia que ela não chegou a ver quem a salvou, nem como fez aquilo, mas estava profundamente agradecida. Bem, alguém ficou feliz com a história, além dos jornais.  
Durante os dias que se seguiram, muito se especulou com o fato do cadáver do estuprador não ter uma gota de sangue. Em vista disso, alguém relembrou uma tese estapafúrdia da cidade ter sido invadida por vampiros, mas a história não foi adiante e acabou esquecida, como sempre acontecia. Desta vez tive sorte, admito. Erros como esse não podem mais acontecer, principalmente quando causados por uma negligência monumental de minha parte. Eu deveria ter dado um fim ao cadáver. Afinal, pessoas desaparecem todos os dias sem deixar rastros. Seria muito fácil jogá-lo no mar, ou em algum túmulo abandonado do cemitério da cidade. Ao invés disso, o deixei num telhado, como resto de comida. Eu realmente estava ficando velha, ou tinha bebido sangue de alguém com Alzheimer. 
Os dias se passaram na mais absoluta calma. Os tabloides pareciam ter esquecido do caso dos três patetas. Até mesmo o jornalista tinha sumido. Tudo estava bem, mas havia uma luzinha piscando em algum canto de minha mente. Quando isso acontece, me lembra a lei de Murphy. Alguma coisa vai dar errado! Contudo, a calmaria continuou e eu relaxei. Mais um sinal de senilidade, pois a tal luzinha caiu no esquecimento. 
Para não dizer que nada fiz, realizei algumas sondagens discretas para tentar localizar Lucas. Cheguei até mesmo a ligar para o jornal onde ele trabalhava, mas ninguém sabia onde o jornalista tinha se metido. Nada! Parecia que o estrupício tinha desaparecido no ar e eu não gosto disso. Coisas sem explicação, significam encrenca, já dizia meu finado pai. Que o diabo o guarde pela eternidade! 
Apesar dos temores, nada de importante aconteceu naquela semana, exceto pela impressão que tive em algum momento de que estava sendo seguida, ao cumprir meus compromissos sociais. Isso aconteceu em duas ocasiões: na primeira delas, foi à saída do teatro. Quando peguei o taxi, vi que uma motocicleta acompanhou o veículo durante algum tempo. Por cautela, não fui para o hotel. Parei num restaurante movimentado e escapei pela janela basculante do banheiro. Na segunda vez, me pareceu que alguém me observava na plateia de um show que fui assistir, mas não cheguei a ter certeza disso. O local estava lotado e era fácil ter alguém olhando para mim, inadvertidamente. 
Durante toda a minha existência pós-morte, eu nunca me fiei nos poderes das trevas para me proteger. Sempre preferi manter minha verdadeira natureza oculta, confiando mais na dissimulação para permanecer invisível, tanto aos olhos humanos, quanto aos olhos de outros da minha espécie. Desde o século XIX que não os vejo, mas sei que existem em algum lugar. Parte deles vieram do leste europeu, e têm uma origem incerta. Eu fui transformada por espíritos da escuridão, ligados à natureza. Minha transformação foi feita com o meu consentimento e isso me torna diferente, suponho. Eu não sirvo a nenhuma entidade demoníaca, mas sei que sou parte de algo mais antigo que o homem. Se isso significar que um dia receberei a conta pelo presente que recebi, espero estar preparada.  
Hoje faz um mês que retornei. Nesse tempo, alimentei-me a cada cinco dias. Em cada uma delas, dei sumiço nos despojos mortais de minhas vítimas. A julgar pelo que leio nos jornais, nenhuma das mortes chamou a atenção. Tudo está tranquilo e sereno como água de poço. Começo a pensar que fiquei alarmada por nada. Lucas Schiaparelli continua desaparecido, mas fico feliz em dizer que nada tenho a ver com isso, exceto por um pesar que eu não deveria estar sentindo. Esse tipo de pensamento incomoda, pois lembra alguém que já fui. Não quero pensar nisso e me livro dele caindo na farra.  
É impressionante o que esta cidade oferece aos notívagos. Há desde saraus literários a clubes do sexo, onde rola de tudo. É claro que acabo conhecendo muitos humanos interessantes para uma noite. Essa ideia de só ficar é muito boa, principalmente porque meus parceiros podem não sobreviver a uma noite comigo. 
Às cinco da manhã eu volto para o hotel. O recepcionista já se tornou meu cúmplice dessas escapadas noturnas. À custa de algumas gratificações generosas, ele evita possíveis chatos e curiosos. Eu pertenço às sombras e não preciso de plateia para ser feliz. Ao ver minha chegada com passos incertos, ele corre para me estender as chaves e a correspondência. Seu sorriso congelado na face lembra o Coringa, tão falso e dissimulado quanto a cara de paisagem de certos políticos, quando confrontado com evidências de suas falcatruas. Nesses dois séculos de minha existência, os humanos não mudaram muito. Essa é uma boa razão para o pouco apreço que lhes tenho, mas não é o único motivo, devo dizer. 
Entre as correspondências que o recepcionista me entrega, há um convite curioso. É para uma festa no consulado da Romênia. Eu ignorava a existência de um consulado da Romênia na cidade, mas quem sou eu para reclamar? Festa é festa! É claro que o fato daquele país ser a origem de um vasto folclore sobre vampiros, me deixou curiosa. É possível que outros seres de minha espécie tivessem notado minha existência. Se isso seria bom ou ruim, seria difícil dizer, mas vou descobrir logo. A festa é para sexta-feira, daqui há duas noites. Daria tempo de fazer algumas verificações, mas as surpresas ainda não tinham acabado. 
Na noite seguinte, por volta das nove horas, o telefone toca. É o Coringa anunciando que tenho visita. Eu mando despachar o infeliz, mas ele alega que o homem é insistente e tem um retrato desenhado à lápis, que parece comigo. Dizem que a curiosidade matou o gato. Bom, eu não sou um gato, mas alguém podia morrer, com certeza! 
Uma hora depois eu entro no bar do hotel, para onde mandei que o recepcionista conduzisse o meu visitante. Eu tiver tempo suficiente para especular quem seria. Na verdade não foi difícil concluir que estava diante de Lucas Schiaparelli quando entrei no bar. Embora ele estivesse um pouco diferente, eu o reconheci de imediato. 
Ao me ver, ele levantou-se e puxou a cadeira. Pelo visto, continuava um cavalheiro. Isso lhe deu alguns pontos na minha tabela de avaliação. 
- Você envelheceu. – Eu disse, sem muita sutileza. 
- Sim. Mas você, ao contrário... Continua linda! 
A ironia embutida naquele jogo de palavras indicava que ele já não era tão ingênuo, quanto me pareceu naquela noite. 
- Como vai Cecília? – Eu pergunto com uma pequena dose de maldade. 
- Quem? 
Ele não lembra num primeiro momento. Ah! Os homens e sua memória curta! No fundo não são muito diferentes uns dos outros. Depois, eu percebo pela sua expressão, que ele lembrou. 
- Você tem boa memória. 
- Como esquecer quem sofreu por amor? – Eu respondo com ironia. – Pelo visto, o sofrimento se foi. 
- Sim, junto com o amor que eu tinha. 
Aquela escaramuça de palavras podia se prolongar por tempo indefinido, mas ele percebeu meu olhar impaciente. 
- Mas não vim falar de amor com você. 
- Que pena... Eu já estava ficando interessada. 
Ele sorriu pela primeira vez. Os dentes continuavam tortos e havia algumas rugas de expressão em seu rosto, que não estavam antes, mas eu ainda o achava bonito. 
- Eu vim falar dos homens que você matou naquela noite.Ele disse, enquanto olhava-me nos olhos com firmeza. O bobão tinha coragem! 
Pronto! O encanto passou e ele se tornou uma ameaça. Por um momento pensei que podíamos passar ao largo daqueles acontecimentos, mas infelizmente eu teria que dar cabo dele. Essa perspectiva não me deixou muito animada. Matar devia ser algo especial e não um acontecimento corriqueiro, mesmo por um bom motivo. 
- O que você viu? 
- Nada. Eu estava desacordado, lembra? Foi você não foi? 
Quase caí feito uma pata! Felizmente percebi o seu blefe, antes de me comprometer. Depois dessa tentativa dele, fiquei em guarda. 
- Se você não viu nada, como chegou nessa brilhante conclusão? A polícia investigou e concluiu que eles se mataram um ao outro. Foi o que efetivamente aconteceu, quando eu fugi. 
Ele voltou a me fitar com aqueles olhos inquiridores, mas percebi que havia um conflito em sua mente. 
- Bebe alguma coisa? – Ele pergunta de repente.  
- Vinho. Um Cabernet cairia bem. 
Ele faz sinal para o garçom. Depois de fazer o pedido, se volta para mim. 
- A polícia ignorou deliberadamente as evidências. Havia um corpo completamente exangue, um com a cabeça estraçalhada e outro com o coração arrancado. 
- Eu não sabia desses detalhes. – Menti. – Fui embora da cidade no dia seguinte e jurei nunca mais pôr os pés aqui. Nunca mais foi um exagero, é claro, mas eu estava apavorada. 
- Você esteve ausente da cidade nesses últimos três anos? 
- Sim. Posso provar, se você não acredita. 
- Não é necessário. Já verifiquei isso, mas queria que você confirmasse, para eu ter certeza. 
- Certeza de quê? 
- Ainda não sei bem, mas está acontecendo uma sequência de mortes desde que você sumiu. Todas com a mesma características. 
- É mesmo?  
Minha surpresa era genuína. Tudo indicava que havia mais um vampiro na cidade. Alguém invadiu meu território. 
- Sim. Parece ser um ritual de magia negra acontecendo de tempos em tempos, ou... 
- Ou o quê? 
- Vampiros existem e estão aqui. 
Ele estava perigosamente perto da verdade. Eu tinha que decidir logo sobre o que fazer, mas precisava saber mais a respeito dos ataques enquanto eu estava fora. 
- Peça outra garrafa de vinho. – Eu lhe disse, de repente. 
- O quê? 
- Outra garrafa de Cabernet, por favor. Desconfio que nossa conversa vai ser longa. 
Sua expressão era indecifrável, mas acho que ele ficou feliz com isso. Eu também fiquei. 


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